quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Eu também sou América – Langston Hughes

                                                      Eu também canto a América

Eu sou irmão negro

Eles me mandam comer na cozinha
Quando chegam as visitas
Mas eu rio,
E como bem,
E cresço forte.

Amanhã
Eu estarei na mesa
Quando as visitas vierem
Ninguém ousará dizer-me
"Vá comer na cozinha".

Então.
Além disso
Eles verão como eu sou bonito
E terão vergonha.

Eu também sou América.[1]
 
 


Tradução de Zilá BerndI, too, sing America”./ I am the darker brother./They send me to eat in the kitchen/ When company comes,/ But I laugh,/ And eat well,/ And grow strong./ Tomorrow,/ I'll be at the table/  When company comes./ Nobody'll dare/ Say to me/ "Eat in the kitchen",/ Then./ Besides,/ They'll see how beautiful I am/ And be ashamed -/ I, too, am America.
 
 
Langston Hughes(1902-67) foi um dos expoentes de movimentos de afirmação de ser negro, como o Renascimento do Harlem (1920-1940) que surge em prol da liberdade de expressão; da defesa pelo direito ao emprego, ao amor, à igualdade, ao respeito, a cultura ancestral, ao passado de sofrimento, a origem africana.[1] Escritor de maior destaque deste movimento é tido como precursor da negritude de língua inglesa. Filho de mãe negra e pai branco, poeta popular, contista, romancista, cronista e dramaturgo, nasceu em Joplin, Missouri e viveu em vários lugares na infância, Kansas, e no Colorado. Posteriormente, migra para o México e Nova Iorque. A sua avó materna teve uma importância bem significativa em sua militância, pois, em meio ao preconceito racial que sofria, ela o incentivava a ter orgulho de sua ancestralidade.


[1] MUNANGA, Kabengele. Negritude: usos e sentidos, 1986, p. 37.


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